Hoje eu vi uma tempestade do décimo terceiro andar enquanto ouvia ao esquecido Rain Machine, projeto solo de Kyp Malone, do TV On The Radio, e cheguei à conclusão que a máquiina de chuva de Kyp está no sobe e desce de sua voz, em como suas frases chegam aleatórias aos ouvidos, emendadas de forma estranha, sem mostrar onde começa e onde termina cada verso. Rain Machine (2009) é feito de diversos momentos marcantes que nunca se juntam, nem se tocam, mas que fazem todo sentido compondo esta breve mas bela tempestade. Um disco para se apreciar sem muita coisa na cabeça, sem muitas análises. O acaso só acontece quando você não está com ele em sua cabeça.
Ando sentindo falta do sol, daquele fraco. Não por acaso me pego ouvindo o Pants Yell!, que sempre faz seu indie pop ensolarado parecer tão natural que aquilo que podia ser exagerado e besta, como é recorrente por aí, soa apenas bonito e tranquilo. Received Pronunciation, do ano passado, é um disco que você precisa ir atrás porque ele é extremamente tranquilizador se você abrir seus braços a ele.
O BOAT é mais forte. É um sol explícito. São três guitarras aí no vídeo acima tocando a mesma nota para cima em certos momentos. Minha única explicação para isso é a origem do grupo: Seattle. Aprendemos nos anos 90 que faz frio para cachorro por lá e não há nada de errado em querer o maior sol do mundo, há? Setting The Paces, de 2009, não vai mudar em absolutamente nada sua vida, mas, com sorte, na hora certa, ele pode mexer positivamente com seu dia.
Os suecos são mais comedidos. Em seu projeto de sol nunca sinto uma ambição além da satisfação pessoal. Abrindo uma grande exceção para o, hum, bizarro I'm From Barcelona. What Else?, primeiro disco do projeto The Crêpes, formado por Dan Lissvik, metade da dupla Studio, e Fredrik Lindson, metade do The Embassy, é um breve documento de como os suecos podem ser sutis em suas melodias para cima como poucos povos que já se aventuraram nessa brincadeira.
Mais para frente haverá uma resenha de Over The Stones, Under The Stars (2009), pois este é simplesmente o terceiro ótimo lançamento do australiano Ned Collette; o melhor deles, arrisco. Junto com seu conterrâneo Paddy Mann, o Grand Salvo, Ned deve ser um dos artistas mais injustamente desprezados da atualidade.
Tanto a sueca Sarah Assbring, a El Perro Del Mar, como os canadenses do Hidden Cameras têm correndo em suas veias feitas de música pop muitos glóbulos estranhos e bizarros. O clipe oficial de "Change of Heart", do disco de 2009 da El Perro Del Mar, Love is Not Pop, e o clipe de "Underage" [link já que o embed não está funcionando], tirado de Origin: Orphan, lançamento também do ano passado do HIdden Cameras, destacam bem essa estranheza e me fazem lembrar que esses dois álbuns que não são geniais, não são espetaculares, apenas muito bons.
Se quiser ver Sarah tocando "Change of Heart" com a Lykke Li, vá aqui. Em Love Is Not Pop há ainda uma cover de "Heavenly Arms", canção de Lou Reed do disco The Blue Mask (1982), vá aqui e veja uma versão ao vivo.
QUA 20/01/2010 Assista e baixe: show inteiro do Secret Chiefs 3 na França
Nunca vi um show do Secret Chiefs 3 a não ser pela internet, mas mesmo assim não fico tímido em dizer que esta é uma banda com uma das melhores apresentações da atualidade. O vídeo acima, registrado em Lyon no mês de julho de 2009, só comprova isso. Trey Spruance sabe o que faz, meu caro.
De volta ao Suppaduppa e infelizmente com uma triste notícia. Morreu ontem Teddy Pendergrass, principal voz do impecável grupo Herold Melvin & The Blue Notes. Em homenagem ao verdadeiro soul man que foi Teddy, postamos o vídeo acima, registrado em 1972 pelo programa televisivo Soul Train. Descanse em paz, Teddy!
Já viu o novo clipe do Shout Out Louds, "Fall Hard"? A canção é o primeiro single [digital] de Work, terceiro disco do grupo, que sairá em fevereiro pela Merge. "Walls", também tirada de Work, já roda por aí há algum tempo e não decepciona. Como quem não quer nada, o Shout Out Louds já está em seu terceiro disco e vem deixando sua marca com ótimos singles.
E para tolerar a chuva ridícula que caiu, "City Sickness", do primeiro disco do Tindersticks. Something old, something new. Abaixo você vê o teaser de Falling Down a Mountain (resenha), novo disco do grupo. Tchau.
Para tolerar esse calor ridículo que faz só com Diana Ross de maiô branco, fazendo uma das melhores versões de "Ain't No Mountain High Enough" e sendo carregada por dançarinos fortões.
Dos discos que passaram sem resenha por aqui em 2009, Zebra é um dos meus preferidos. Karl Blau está mais estranho do que nunca com seus sintetizadores e lances de metais bizarros misturados com seu dance folk, hum, bizarro?
Ao som de Montclairs, o Suppaduppa deseja um ótimo ano novo para você. O clima de Dreaming Out Of Season (1972), único disco do grupo, é natalino, mas, né, tanto faz como tanto fez. Até 2010!
Antes que o ano termine, aqui vai minha singela homenagem a Vic Chesnutt, morto no dia 25. É de se pensar que eu só lembrei de At The Cut, disco de Vic deste ano, depois que li a notícia de sua morte. Mas, se não for tarde demais, eu acho que não é, meu conselho é que você vá atrás de sua última obra. "Chinaberry Tree", vídeo abaixo, é uma das minha canções preferidas do álbum.
A pessoa responsável pela legenda desse vídeo foda entendeu que japonês fala, fala e fala para dizer uma singela frase. Ao mesmo tempo que não são muito econômicos, eles são. Ouço Shugo Tokumaru falar e só posso desejar um final de ano tranquilo. Ameno.
Na foto: Charizma e Peanut Butter Wolf durante entrevista de 1992 na rádio universitária de Stanford. Uma pérola que você pode ouvir clicando aqui. Aliás, você já ouviu o disco Big Shots, certo? Só conferindo. Acaba de sair um 7" pela Stones Throw por US$ 5 com algumas demos da dupla, fiquei com vontade de comprar.
Ainda no assunto Stones Throw, que tal esse vídeo abaixo com um pedaço da mixtape sensacional do Edan (Echo Party) que já está circulando por aí? Comprou o (já esgotado) vinil limitado em mil cópias? Esperamos que sim. Resenha em breve aqui no Suppaduppa. Promessa é dívida.
Beat do J Dilla tocado pelo Roots, Black Star reunido (Mos Def e Talib Kweli) e as meninas do Dirty Projectors como vocalistas de apoio. Não dá pra ficar melhor do que isso, dá? Dica do Leo.